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03/12/2019

Hospital Regional do Litoral realiza curso de capacitação para atender vítimas de afogamento

Por Guilherme Lara da Rosa

É comum, todo ano, nos depararmos com dados alarmantes acerca de afogamentos registrados no litoral paranaense, principalmente durante a alta temporada. De acordo com a Polícia Militar, no último réveillon o litoral paranaense recebeu quase dois milhões de pessoas e, consequentemente, é nesse período que o número de afogamentos se elevam. Em consonância com esta informação, desde 2014, o ano de 2018 foi o que mais teve mortes em decorrência de afogamento. No total foram 149, segundo o Sistema Digital de Dados Operacionais do Corpo de Bombeiros do Paraná (SYSBM-CCB). 

Nos dias 21 e 26 de novembro, o Hospital Regional do Litoral, gerido pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas), promoveu um curso voltado à capacitação e conscientização de médicos, fisioterapeutas e enfermeiros da unidade para atender vítimas de afogamento no litoral paranaense. O evento atingiu cerca de 230 profissionais com o intuito de prepará-los para a Operação Verão 2019/2020. De acordo com a palestrante deste curso, diretora científica da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) e especialista em acidentes de mergulho, Lúcia Rodrigues, os assuntos abordados foram sobre como reconhecer o afogado; classificar e tratar a vítima; conscientizar; e capacitar, principalmente.

Hospital Regional do Litoral

Afogamento não é acidente

Segundo dados levantados pela Sobrasa, a cada 91 minutos um brasileiro morre afogado. E quem mais aparece entre esses dados são os jovens com até 29 anos, sendo na maioria das vezes homens. Para Rodrigues, afogamento não se configura como acidente: “Os afogamentos ocorrem principalmente devido a falta de atenção aos riscos, por extrapolar os limites de segurança ou por causa imprudência. É um incidente, pois poderia ser 100% prevenido”,  afirma a médica. 

Ainda de acordo com o Boletim Brasil 2018 da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, devido ao tempo de exposição, o afogamento tem 200 vezes mais chances de levar uma pessoa a óbito do que um acidente envolvendo transportes terrestres, e esse incidente é uma das causas de maior impacto na saúde e na economia do mundo, justamente por cada morte - proveniente de afogamento - custar pouco mais de 200 mil reais para o Sistema Único de Saúde, como relata Lúcia. Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que há 129 mil mortes anuais por afogamento somente na China.

Prevenir é a melhor solução


A informação é a chave do conhecimento. Por conta do número de pessoas que irão passar pelo litoral paranaense durante esse verão, um tipo de intervenção como essa que ocorreu no HRL se faz necessária. No último feriado (15/11), de acordo com o 8º Grupamento de Bombeiros, localizado em Paranaguá, foram registrados 14 afogamentos; entre eles quatro óbitos. O tenente Malaquias ainda informou que desses afogamentos, 10 ocorreram em áreas que não eram protegidas por guarda-vidas; dos quatro óbitos: dois foram em Guaratuba, um em Guaraqueçaba e um em Pontal do Paraná.

HRL

O Hospital Regional do Litoral, referência na região, é a única unidade que oferece atendimento voltado à atenção terciária, ou seja, àqueles casos que necessitam de um cuidado de alta complexidade e de serviços altamente especializados.  De acordo com o diretor-geral do HRL, Giovane de Souza, o intuito da capacitação foi desenvolver, principalmente, o conhecimento acerca desse tipo de incidente e afirma que o resultado foi satisfatório: “Acreditamos que para atingirmos a excelência temos que capacitar e, claro, seguir protocolos de atendimentos. O nosso foco foi extrair o melhor resultado na prática”, disse. Ainda segundo Souza, a intervenção proporcionou momentos de interações e contribuições acerca de experiências vivenciadas pelos participantes. “Essa troca de experiências conduzidas pela instrutora resultou em um momento de muito aprendizado”, conclui o diretor.

Para a enfermeira do Hospital Regional do Litoral, Maria Angélica Vassoler, que participou do treinamento, a equipe está capacitada para receber esse tipo de caso na unidade: “Estamos preparados para atendê-los conforme o protocolo e, também, para educar nossos pacientes e a população sobre os riscos que a água traz. Devemos ser multiplicadores de informações no sentido de conscientização”, conclui Maria Angélica. 

Contudo, ainda assim, é essencial que haja cuidado e responsabilidade, justamente por conta da imprudência ser, na maioria das vezes, a grande responsável por esses incidentes. É importante frisar que os banhistas devem evitar o consumo de bebida alcoólica antes de entrar na água e também de alimentos pesados. Porém, a orientação dos Bombeiros é que os banhistas permaneçam nas áreas onde são protegidas pelos guarda-vidas. Para isso, está disponível o aplicativo Bombeiros Paraná, que mostra os locais da praia onde há postos de guarda-vidas para haver maior segurança durante o lazer; o app pode ser baixado tanto na plataforma iOS quanto Android.

A união faz a força

A atenção do Governo do Estado, nesta época do ano, está voltada para a segurança e saúde das milhares de pessoas que passarão pelo litoral paranaense durante a Operação Verão 2019/2020. E o papel da Funeas, como mantenedora do Hospital Regional do Litoral, é “oferecer, através da unidade, o melhor atendimento possível, tanto em relação aos materiais e medicamentos do hospital quanto à presença de profissionais capacitados para atender em todos os níveis de atenção”, destaca o presidente da Fundação Marcello Augusto Machado.

O presidente ainda acentuou a importância de “contarmos com pessoas comprometidas com a instituição e com o cuidado” e colocou a especialista em acidentes de mergulho Lúcia Rodrigues  como uma dessas profissionais importantes para a saúde da população paranaense; a também socorrista ofereceu a capacitação aos colaboradores do HRL de forma voluntária.

Outro órgão que se faz de extrema importância em relação aos incidentes que ocorrem nas praias é o Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas. São eles que, muitas vezes, realizam os primeiros atendimentos e levam com mais rapidez e agilidade as vítimas de afogamentos até as unidades hospitalares especializadas. De acordo com o tenente-coronel Pucci, que atua há 13 anos na Operação Verão, este ano a operação contará com aeronaves altamente equipadas com todos os aparatos de uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI); nelas terão médicos, enfermeiros, socorristas e, claro, os tripulantes.

helicóptero do BPMOA  “Estamos preparados para realizar o resgate completo; desde oferecer todo o suporte básico de vida até o transporte das vítimas”, afirma. Ainda de acordo com o coronel, o helicóptero é essencial nesses casos: “no contexto de afogamentos no litoral esse transporte é fundamental, pois ele nos dá tempo e praticidade, e essa rapidez é quem faz diferença em relação à sobrevivência. Pucci ainda conclui: “Água no umbigo, sinal de perigo!”.


Fotos: Maria Angélica Valosser, Arnaldo Alves e Tenente-coronel Pucci, respectivamente.

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